domingo, 11 de março de 2012

POR UM CENTRO CULTURAL EM CAMETÁ

Carlos A. Amorim Caldas


Carlos A. Amorim Caldas[i]

Cametá tem sido reconhecido ao largo de sua história pela participação de cametaenses notáveis na política do Estado do Pará e do Brasil e também pela ‘produção’ de artistas memoráveis como Jeremias Rodrigues, Satyro de Melo, Mestre Penafort, Mestre Cupijó, dentre muitos.
Referencia musical do município a Banda Caferana, antigo Jazz(e) Caferana, tem uma bela rica história musical, épica, lírica e, porque não, romanesca.
Temos – ou tínhamos? – um raro cemitério-museu que já não tem espaço para enterrar nem um cadáver despedaço, imagine a conservação do acervo há quantas anda?
Mas, felizmente, ainda temos um pequeno museu que foi recentemente restaurado e uma praça denominada jardim dos artistas, além dos nomes de ruas e tradições familiares que nos enchem de orgulho de ser cametaenses: terra de artistas notáveis!
Contudo, Salomão Laredo escreve sobre o referido museu:
Cametá, nesse sentido é quase Macondo -  a aldeia do  livro   “ Cem Anos de Solidão”  com que Gabo ganhou o Nobel, em 1982 – , se  não se apressar em  preservar seu enorme patrimônio histórico e cultural, também lingüístico. Cidade que já foi capital de Belém  assiste desaparecer suas primeiras ruas tragadas pelo rio Tocantins,  e,  se não fosse  a competência da equipe do SIM/Secult , liderada por sua diretora Renata Maués que é expert  em restauração, estaríamos hoje também  sem  esse móvel  memorial de nossa identidade. (In: http://cametaforas.wordpress.com/)
“Tenho enlevo de ser brasileiro, da Amazônia sem fim, do Pará. E proclamo também sobranceiro o meu berço feliz Cametá!”
Satyro de Melo (1900-1957) o incansável defensor da música paraense, ganhou o nome da fonoteca estadual no Centro Cultural Tancredo Neves – CENTUR – em Belém. E mestre Penafort, Mestre Cupijó, os banguês, cordões e encantados como/quando serão preservados enquanto Cultura? E, nosso menestrel, Alberto Moia Mocbel – poeta, escritor, político...?
Daí, os poderes (in)competentes municipais repetem discursos midiáticos como “retirar a juventude” da zona de emergência e perigo das drogas, da violência, da prostituição...Intensamente contraditórios os “discursos” e as ações práticas, desses atores sociais, pois destoem a possibilidade de termos referencias positivas à juventude! Não investem na Cultura e na Preservação Cultural!
Não temos memória, não temos história, portanto nosso presente e futuro estão ameaçados; e as referencias positivas contemporâneas os mais jovens não conhecem. Quem já presenciou o grupo Jubano, por exemplo? Ou mais grave, quem sabe da atuação, como ator, do professor Orivaldo Francês. Onde ainda se ouve o Siriá e o carimbo de Mestre Cupijó!?
Não senhores, não é somente o prédio do Centro de Cultura que está em ruína! Nossa cultura – nossa produção material e imaterial - está ameaçada, é preciso resistir ao ataque silencioso e silenciador que desintegra lentamente a nossa maneira de ser Cametaense!
O prédio pode e vai ser reconstruído, tenho em algum lugar, esta certeza! Pois até mesmo a Secretaria Municipal de Cultura tem um projeto para aquela área. Além do mais temos duas Universidades Públicas – a UFPA e UEPA – presentes neste município que, com certeza terão enorme interesse em coordenar projetos de ações culturais no Centro de Cultura de Cametá.
Mas, nós temos que contar, de roda e roda de amigos, que nesta terra já tivemos a banda “os Brasas”, “os invencíveis”, dentre inúmeras bandas musicais. E tivemos também, bandas marciais e euterpes. Somos um povo musical!
“Siriá, meu bem siriá, estava dormindo e vieram me acordar! (...)
Siriá meu bem siriá! Tua mãe tariira, teu pai jacundá!
Se eu soubesse eu não vinha do mato pra tirar sarará do buraco!”
Nossa memória tem que ser contada e falada para que os jovens saibam que aqui tínhamos escolas de dança, escolas de artes visuais, de esculturas, etc. Somos um povo Artista!
Precisamos reuní-lo em um novo “Centro de Cultura”! Reconstruindo, como fénix das cinzas/ruinas. Mãos à ação, pois “quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

Carlos A. Amorim Caldas 

[i] Psicólogo e mestre em educação UFPA.

2 comentários:

  1. jacksonunip@yahoo.com.br14 de março de 2012 01:03

    lembro muito bem quando eu morava ai em cametá,participei do grupo escoteiro vitória régia,e lembro que apresentavamos a pastorinha ai no centro cultural de cametá quanta saúdade,e lembro também que a professora helena lúcia nos encentivavamos muito a atuar e representar,e hoje vejo o nosso cento cultural desse jeito é muita falta de respeito com a nossa cultura e com o nosso povo cametaence.

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    1. Realmente dá uma certa saudade dos tempos que nosso município produzia cultura, política, educação e bem estar-social. Não consigo entender muito bem o que houve, onde foi que nos descuidamos e deixamos destruírem nossos sonhos e agora o sonho de nossa juventude. Pois também tive intensa atividade cultural no Centro de Cultura, quando era o primeiro mandato de Waldoli Valente - este já é o terceiro. E agora, não sei se nossas exigências aumentaram ou é grupo que está com ele, ou se ele mesmo se desvirtuou...Mas o certo é que como vc sente jacksonunip@yahoo.com.br aqui tá tudo abandonado... Mas nós vamos continuar reagindo e cobrando de quem de direito e convocando a sociedade cametaense a uma vida melhor!

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